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26/02/2013 - O Programa Fitoterápico "Farmácia Viva" acaba de receber, por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária, um financiamento de R$ 149 mil do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para desenvolver suas atividades em 2013, além de ter renovado o convênio com o Ministério da Educação (MEC) e com o Banco Santander. Uma das mais importantes ações do programa é a reintrodução da ipecacuanha nas florestas do Estado do Rio de Janeiro.

Trata-se de uma planta utilizada na composição de remédios fitoterápicos, principalmente contra a tosse e a bronquite, e que está ameaçada de erosão genética, fenômeno que ocorre quando a interferência humana impede o cruzamento entre indivíduos da mesma espécie que vivem em ambientes diferentes, provocando o empobrecimento genético e causando a extinção da espécie.

A equipe de pesquisadores e técnicos envolvida nesse trabalho será capacitada para reproduzir o material genético da ipecacuanha no Banco Ativo de Germoplasma (BAG), que será implantado na universidade por meio de um convênio entre o "Farmácia Viva" e a Embrapa Amazônia Oriental. A partir do momento em que o material genético estiver replicado, a planta será reinserida na Mata Atlântica e introduzida para cultivo em canteiros, a fim de ser comercializada pelos agricultores familiares do Estado do Rio.

Com o novo patrocínio, o programa pretende ainda ampliar suas atividades de estudos laboratoriais, adquirir novos equipamentos e melhorar a produção por meio da implantação de uma cozinha artesanal, com o intuito de agregar valor aos produtos comercializados. Todo esse trabalho será realizado em parceria com a equipe da Farmácia de Alimentos, da Faculdade de Farmácia da UFF.

O "Farmácia Viva" atua com outros oito subprojetos, dentre eles a elaboração de um guia prático destinado a profissionais de saúde para a prescrição de medicamentos fitoterápicos; pesquisas sobre a fertilidade do solo, avaliação da irrigação e drenagem do solo e a revitalização do cultivo agroecológico de hortaliças em faixas de oleodutos e gasodutos da Transpetro, por meio da Cooperativa de Agricultores Familiares Univerde de Nova Iguaçu. Em 2011, o subprojeto de cultivo agroecológico de hortaliças foi contemplado com o Prêmio Santander Universidade Solidária.

A partir de 2013, será introduzido também o cultivo de espécies medicinais, com foco em geração de trabalho e renda por meio da capacitação de trabalhadores rurais. O "Farmácia Viva" teve início em dezembro de 2010 como um projeto de ensino, pesquisa e extensão, após ser selecionado pelo edital do Programa de Educação Tutorial (PET), promovido pelo MEC.

Outras informações: (21) 2629-9566.

Fonte: UFF Notícias

Publicado em Notícias
Terça, 23 Abril 2013 02:57

Aspectos sociais da fitoterapia

A busca de plantas com propriedades terapêuticas é uma prática milenar, desenvolvida e perpetuada através dos tempos pela humanidade. Os tratados de fisioterapia elaborados pelas antigas e grandes civilizações (egípcios, assírios, gregos), que conseguiram sobrepor-se à ação do tempo, ainda hoje assim o comprovam.
Publicado em Estudos e Pesquisas

Kulina com Haverroth no Alto Rio Envira, AcreAlém dos plantios para subsistência, o grupo cultiva diversas espécies para fins terapêuticos.

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plantasO Acre é o estado brasileiro com maior diversidade biológica e étnica, reunindo 3% de toda a população indígena. O projeto "Etnobiologia e Etnoecologia entre os Povos da Floresta, Acre: os Kulina (Madija) do Alto Rio Envira", executado pela Embrapa Acre, pretende sistematizar conhecimentos etnobotânicos de tribos que habitam a região central do Estado e identificar a importância cultural e econômica de plantas medicinais com uso terapêutico por estas populações.

A pesquisa contempla as Terras Indígenas Kulina do Rio Envira, Jaminawa-Envira e Kulina do Igarapé do Pau. As primeiras ações visam à realização de diagnóstico geral destas áreas e o levantamento preliminar das plantas medicinais usadas pela etnia Kulina. Com este objetivo, uma equipe liderada pelo pesquisador Moacir Haverroth percorreu nove aldeias no período de 8 de novembro a 13 de dezembro.

Saindo do município de Feijó, no interior do Acre, a primeira das quatro expedições previstas no projeto subiu o Rio Envira durante cinco dias para chegar à aldeia Igarapé do Anjo e iniciar a pesquisa, realizando o percurso inverso até o ponto de partida. Esta é a primeira vez que a unidade desenvolve um trabalho junto a populações indígenas. "Estamos levando as pesquisas da Embrapa para locais onde nunca havíamos chegado e percebemos que há um imenso corpo de conhecimento a ser estudado" afirma Haverroth.

A viagem foi autorizada pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), órgão do Ministério do Meio Ambiente que regulamenta o acesso ao patrimônio genético, proteção do conhecimento tradicional associado e repartição de benefícios. Uma parceria com a Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira (Opire) e a participação de um intérprete Kulina facilitaram a comunicação da equipe com os indígenas.

Resposta concreta

Para a pesquisadora Lúcia Helena Wadt, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da unidade, a questão indígena tem importância singular para a Amazônia e, em especial, para o Acre. Na sua avaliação, o projeto representa uma resposta concreta da Embrapa em prol da valorização da cultura e do saber tradicional, mas, principalmente, uma forma de mostrar que a pesquisa científica não está alheia aos problemas enfrentados por estas populações.

Os resultados desta primeira visita revelam as condições de saúde e saneamento das aldeias, recursos disponíveis, distribuição demográfica, práticas agrícolas, tipos de plantas conhecidas e usadas como remédio, além de outros dados que ajudam a traçar o perfil e a localização espacial destes ambientes.

Segundo Haverroth, a infraestrutura nas aldeias é precária, com baixas condições de saneamento, agravadas pelo isolamento. Outro dado observado é que 50% da população das aldeias têm menos de 15 anos, implicando um perfil epidemiológico bastante jovem, com predominância de doenças como infecções gastrointestinais, principalmente diarréia e verminose, além de infecções respiratórias.

Diversidade

Em relação à agricultura, o destaque é para os roçados consorciados, cultivando entre quatro a cinco culturas. Conforme explica Haverroth, esta prática dura cerca de cinco anos e implica sucessivas derrubadas para implantação de novos plantios. Entretanto, não consiste em devastação ambiental por que o tamanho relativamente pequeno e a presença de mata nativa em torno das áreas favorecem a rápida regeneração da floresta.

Ainda segundo o pesquisador, as Terras Indígenas visitadas abrigam uma diversidade enorme de plantas medicinais. Foram levantadas mais de 100 espécies usadas como remédio, segundo a cultura Kulina. Destacam-se, principalmente, as usadas para curar picada de cobra, um dos problemas mais freqüentes nas aldeias. "Os registros dos nomes foram realizados na língua kulina por que os indígenas desconhecem a tradução. Um dos grandes desafios do projeto consiste na identificação científica destas espécies", explica.

Outras Informações

Embrapa Acre
Pesquisador Moacir Haverroth
Telefone: (68) 3212-3296
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Fonte: Embrapa

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