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Atenção

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Quarta, 03 Abril 2013 20:04

Reaplicado em mais de 100 escolas, projeto Farmácia Viva é referência em Alagoas

AulanahortaO que começou como uma horta comunitária numa escola no interior de Alagoas é hoje uma referência para escolas no Brasil inteiro. O Projeto Farmácia Viva, desenvolvido na Escola de Ensino Fundamental Benjamin Felisberto da Silva, em Arapiraca, principal cidade do interior do estado de Alagoas, foi vencedor, em 2008, do 1° Concurso Aprender e Ensinar, promovido pela Revista Forum e a Fundação Banco do Brasil, e desde então teve sua metodologia replicada em mais de 100 escolas do agreste e do semiárido alagoano. Iniciativa da professora Edinalva Pinheiro dos Santos Oliveira, diretora da escola, o projeto premiado atraiu a atenção de outras escolas, que implantaram a metodologia.

 

“Até então, as escolas não tinham atentado para a grande contribuição que as plantas medicinais poderiam trazer para o bem estar das crianças, que aprendem a resgatar e ter mais conhecimentos sobre as plantas”, diz.

 

Ela conta que escolas do município de Arapiraca e de municípios circunvizinhos a procuram para pedir informações para implantarem o projeto. Alunos e professores de universidades como a Federal e a Estadual de Alagoas (Ufal e Uneal), além de particulares, também visitam a escola para estudar a metodologia.

 

Professsora EdinalvaEdinalva (foto) faz parte da Rede de Educação Contextualizada do Agreste e Semiárido Alagoano (Recasa) e profere palestras nos 18 municípios integram a rede. Segundo a professora, o projeto beneficia as crianças e suas famílias ao resgatar a cultura milenar do cultivo nos quintais das plantas medicinais, que podem ser aplicadas para problemas corriqueiros como disenteria, dor de cabeça, febre, resfriados e cólicas.

 

“As mães, nos seus depoimentos, falam que as crianças em casa não pedem mais um comprimido, mas que façam um chazinho! Na escola, da mesma forma! Qualquer mal estar já é motivo para ir até a cozinha e pedir as merendeiras para fazerem um chazinho”, conta.

 

Ela revela que até as enfermeiras da Unidade de Saúde, que atendem a comunidade, dizem que, após o projeto, a procura por atendimentos diminuiu bastante - sinal de que as plantas medicinais são preventivas e eficazes.

 

De acordo com Edinalva, a experiência é de fácil replicação e de baixo custo. “Todas as escolas do Brasil devem apostar nela”, sugere.

 

Além de adquirirem conhecimento sobre o plantio e o uso, as pessoas aprendem a preparar e utilizar os chás de forma correta, pois muitas vezes, por falta de conhecimento, fervem demais a erva ou deixam para beber de um dia para o outro ou ainda tomam repetitivamente.

 

Aulanahorta3“Recomendo que, primeiramente, a comunidade escolar seja sensibilizada e sejam feitas pesquisas para que as crianças tragam subsídios sobre o conhecimento dos pais, dos avós e dos vizinhos, para que as famílias sintam-se importantes durante todo o processo. Implantar um projeto desses não é apenas levantar canteiros e colocar a mudinha. É também fazer a contextualização em sala de aula, é se deliciar entre as disciplinas, é o envolvimento de todos”, diz.

 

Edinalva acrescenta que não é preciso se preocupar com grandes espaços. “A criatividade dá conta”, garante.

 

Segundo a professora, o projeto está sensibilizando a gestão municipal a implementar um laboratório fitoterápico no município de Arapiraca. Ela afirma que, ao ajudar na prevenção de várias doenças, a produção levará à economia de gastos com remédios, incluindo plantas medicinais, no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Fico muito feliz de dar a minha contribuição para a minha comunidade, cidade, região e país. É como diz o Padre Marcelo Rossi: ‘Eu, quando criança, queria transformar o mundo; quando jovem, queria transformar o país; adulto, descobri que preciso começar pela minha comunidade’!”, ressalta.

Por Marina Lemle

Saiba mais:

Projeto Farmácia Viva será implantado nas Unidades de Saúde - 31/01/2013

Projeto Farmácia Viva ganha cisterna e tanque para peixes - 07/10/2011

Comercialização de plantas medicinais: um estudo etnobotânico nas feiras livres do município de Arapiraca–AL – Artigo de Rubens Pessoa de Barros, Daiana Wilma da Silva Lós e Jhonatan David Santos das Neves publicado na Revista de Biologia e Farmácia da UEPB (volume 07, número 02, ano 2012) disponível em arquivos PDF ou HTML

A prática pedagógica na difusão de conhecimentos do projeto farmácia viva com alunos da licenciatura em ciências biológicas da uneal - Campus I – Artigo de Rubens Pessoa de Barros, Daiana Wilma da Silva Lós e Jhonatan David Santos das Neves.